Organizações da Sociedade Civil participam de agenda pela manutenção do auxílio emergencial e implementação da renda básica

Ato com a Comissão Mista de Parlamentares e entidades da Sociedade Civil pela manutenção do auxílio emergencial

Já são mais de 200 mil pessoas mortas e outras 80 milhões estão famintas. Dentre elas, a maioria esmagadora são pessoas negras. Se o fim do auxílio emergencial aponta para o aprofundamento das desigualdades e da miséria, integrantes da Coalizão Negra Por Direitos, da Rede Brasileira de Renda Básica, do Nossas, da Inesct, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Instituto Ethos estiveram em Brasília, entre os dias 10 e 11 de fevereiro, representando mais de 300 organizações que construíram coletivamente e assinaram a campanha Auxílio até o fim da pandemia!, para estender a ajuda financeira enquanto durar a situação de urgência trazida pela covid-19. Agendas no Congresso e na Câmara recorrem ao valor de, no mínimo, 600 reais mensais e a ampliação do Bolsa Família, vislumbrando esses passos como um início da implementação de uma política de renda básica permanente.

Na quarta-feira (10), ao meio-dia, participaram do ato em defesa da prorrogação do Auxílio Emergencial e da ampliação do Programa Bolsa Família junto com a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Renda Básica. No Salão Verde da Câmara dos Deputados, Douglas Belchior, professor de história e membro da Coalizão Negra Por Direitos, uma aliança nacional com 200 organizações dos movimentos negros no Brasil, reforça: “Grande parte dos deputados, não fazem supermercado, não vão a feira. O ‘Fantástico’ acabou de fazer uma matéria, mostrando mulheres negras no final da feira pegando resto de alimento para alimentar seus filhos. Essa é a realidade do povo brasileiro. É uma contingência humanitária!”. 

Ocorreram também agendas com os Senadores Randolfe Rodrigues (Rede – AP) e Alessandro Vieira (Cidadania – SE), reunião com a Defensoria Pública da União (DPU) e visitas a parlamentares da Câmara dos Deputados. Já na quinta-feira (11), se reuniram no Congresso com a liderança da minoria, representada pelos deputados Enio Verri (PT-PR) e José Guimarães (PT-CE), e num segundo momento, com o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM). Durante a tarde, representantes da campanha Renda Básica que Queremos e da Coalizão Negra Por Direitos se reuniram com o presidente do Senado Federal , o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para tratar da questão. Também em fortalecimento as mobilizações da campanha, a Coalizão Negra Por Direitos convoca para a próxima quinta-feira (18) uma série de atos em frente às Assembleias Legislativas Estaduais e Câmaras Municipais de todo o Brasil. Serão protocolados documentos que exijam a criação de ações de combate à miséria, como a implementação do auxílio emergencial estadual e municipal, a retomada do auxílio emergencial federal de R$600 até o fim da pandemia e a vacinação em massa para todas e todos pelo Sistema Único de Saúde. As mobilizações pela implementação dessa política pública atendem principalmente às pessoas negras e periféricas, que são maioria na extrema pobreza no país.